Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade.

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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Apresentação Teatral “O céu pode esperar” em Vinhedo – SP

20140919-vinhedo

Almir Sater falando como surgiu a musica Tocando em Frente

Tocando em Frente: Uma inspiração de felicidade de Renato Teixeira e Almir Sater

 
 
Ontem quando voltava da faculdade ouvia a musica ( que amoooooo) Tocando em frente, na voz do Almir Sater ( que amoooooo), e quando estacionava o carro na garagem ouvi ele falando como surgiu a melodia e letra,  e fiquei muito emocionada com a simplicidade em que ele disse que o Renato Teixeira ficou com os olhos vidrados e em dois minutos escreveu a musica e que ele tem certeza que foi psicografada...
 
Ouça abaixo e no final ele explica como ela surgiu... um presente...
 
 
A música logo se tornou um sucesso, cantada por diversos músicos, abrindo o sucesso com Bethânia que gravou logo após ser composta, seguida por Sergio Reis, Agnaldo Rayol, Hebe Camargo, Paula Fernandes, Daniel, dentre outros.
 
 
Tocando em Frente
Renato Teixeira e Almir Sater

Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais

Hoje me sinto mais forte,
Mais feliz, quem sabe
Só levo a certeza
De que muito pouco sei,
Ou nada sei
 
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs

É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida
Seja simplesmente
Compreender a marcha
E ir tocando em frente

Como um velho boiadeiro
Levando a boiada
Eu vou tocando os dias
Pela longa estrada, eu vou
Estrada eu sou
 
 
as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs

É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Todo mundo ama um dia,
Todo mundo chora
Um dia a gente chega
E no outro vai embora

Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
E ser feliz

Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs

É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais

Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
E ser feliz
 
 
 

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

CURSO PROMOVIDO PELA ADDE PARA EXPOSITORES ESPÍRITAS em São José do Rio Preto

INSCRIÇÕES ATÉ O DIA 30/09/2014



O CURSO SERÁ REALIZADO NAS DEPENDÊNCIAS DO CENTRO ESPÍRITA FRANCISCO DE ASSIS,

O CURSO SERÁ MINISTRADO EM 5 MÓDULOS, PELOS COMPANHEIROS:
Adauto Lima, Dr. Julio César André, Lucio Martinez, José Carlos de Souza e Andrea Silvestre.

 O 1º ENCONTRO SERÁ NO DIA 04/10/2014,
COM INÍCIO AS 16hs.
FAÇA SUA INSCRIÇÃO!!!
PARA SE INSCREVER, PREENCHA A FICHA EM ANEXO E ENVIE PARA:
alvelima@terra.com.br
assunto: CURSO PARA EXPOSITORES.


qualquer outra informação poderá ser obtida através do email acima citado
ou através dos telefones: 17 3232.3321 ou 99791.1320.

VII Encontro Nacional Dos Amigos de Chico Xavier e Sua Obra



quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Promoção Especial! Show com Daniel - Jantar Iluminado 2014 - Promoção e Descontos Especiais! Ligue: 11 2457-4312

Os Luminares Tchecos - J.W.Rochester e Wera Krijanowskaia



 
Resumo: O cenário dos acontecimentos narrados, situa-se em Praga (capital da Bohêmia), em Pilsen e em Constança, entre os anos 1400 a 1419, e tem como personagens centrais, Jan Huss, sacerdote católico, precursor da Reforma Protestante e Jerônimo de Praga, seu discípulo.
Jan Hus  iniciou um movimento religioso baseado nas ideias de John Wyclif, onde pregava contra os abusos da Santa Madre Igreja.  Os seus seguidores ficaram conhecidos como os hussitas. A Igreja Católica não perdoou tais rebeliões e ele foi excomungado em 1410. Condenado pelo Concílio de Constança, foi queimado vivo.
Já no prefácio da obra, os tradutores comentam sobre o fato de Jan Huss ter sido uma das encarnações de Allan Kardec, o Codificador do espiritismo. Eles citam vários textos que comprovariam tal afirmação e relatam que a própria Espiritualidade fez a revelação a Kardec.
Antes do primeiro capítulo, temos um resumo histórico das reformas no Cristianismo, compreendendo o período entre os Séculos IV e XV quando se dá início à Reforma Protestante.
Paralelamente, corre a história da pequena Rugena Rubstein, que fica órfã aos 9 anos de idade e se vê obrigada  a mudar-se  para o castelo dos Valdstein, que serão seus tutores até que se case com o conde Vok Valdstein. O que Rugena não sabe é que a morte de seu pai foi uma armação da condessa Valdstein, mãe de Vok, para se apossar da sua herança.
Ficha Técnica:  Espírito: J.W.Rochester
Médium:  Wera Krijanowskaia
Páginas: 500

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Eles vêem espíritos

Super 237
Março de 2007


Para a ciência, ver e ouvir fantasmas não tem nada de sobrenatural: tudo é criado pelo cérebro. Agora os cientistas tentam explicar por que tanta gente, em diferentes épocas e civilizações, afirma ver espíritos

por Texto Aryane Cararo
 
No rádio tocava Oceano, de Djavan. Maurício ia de São Paulo a Santos e acabava de entrar no primeiro túnel da Rodovia dos Imigrantes. Foi quando sentiu um calafrio e ouviu:
- Ai, gosto tanto dessa música.
- Tia, o que a senhora está fazendo aqui?, disse Maurício, reconhecendo a voz.
- Ué, estou indo para a praia, responde a tia, com naturalidade.
- Mas a senhora não pode. A senhora está morta faz uma semana.
Dona Rosa, a tia de Maurício que apareceu no carro de repente, reclamava de que estava perdida e ninguém tinha ido buscá-la. "Só vi o Zé [o irmão dela], mas parecia que ele estava de fogo", disse. Sem saber o que fazer, o sobrinho sugeriu que­ ela aguardasse pa­ra seguir seu caminho. Antes de sumir do veículo, a mulher agradeceu a coroa de flores e só não deixou mais perplexo o administrador e engenheiro eletricista Mau­rício Casagrande porque essa não era a primeira vez que algo parecido acontecia. As primeiras manifestações estranhas apareceram na infância, mas foi depois dos 27 anos que ele passou a protagonizar cenas de horror: acordava durante a noite e via figuras cadavéricas no quarto, ouvia vozes e começou a adivinhar data e hora da morte de pessoas próximas. Entre o susto e o incômodo, buscou ajuda médica com psicólogos, psiquiatras, neurologistas. Nun­ca encontrou nada errado.
Para a ciência, espíritos não existem. Nossa personalidade, nossa inteligência, nosso caráter, tudo é determinado pelas conexões cerebrais. Quando morremos, as células têm o mesmo fim, sem deixar possibilidade para alma ou fantasmas aflorarem. Mas os próprios cientistas reconhecem que relatos de experiências sobrenaturais e de contato com os mortos, como o do engenheiro Maurício, estão presentes em diversas civilizações e são quase tão antigos quanto a escrita. A possessão por deuses e demônios aparece desde 2000 a.C. O Tratado do Diagnóstico Médico e do Prognóstico, um conjunto de 40 pedras ba­bilônicas dedicadas à medicina, descreve as alucinações auditivas e as ausências súbitas com um caráter sobrenatural Hieróglifos também revelam que os egípcios acreditavam que mortos ou demônios entravam no corpo dos vivos e provocavam tais sintomas. O caráter sagrado também esteve presente na Grécia antiga, onde alucinações eram chamadas de "doença sagrada" ou "doen­ça da Lua". Com o advento do cristianismo, os inúmeros deuses deixaram de ser a causa para esses fenômenos. Surgiram as explicações naturais, como a de que a Lua provocava o aquecimento da Terra e isso faria o cérebro derreter, gerando as crises. Na Idade Média, quem tinha alucinações era considerado herege. Joana D’Arc, queimada em 1431 quanto tinha 29 anos, começou a ouvir vozes e perceber luzes estranhas ainda adolescente. Hoje, os espíritos inspiram todo um gênero de cinema - os filmes de terror -, sem falar em contos da literatura universal, novelas e conversas em família. Com tantas histórias distantes, porém parecidas, é muito fácil acreditar que há algo além ao nosso redor.
Apesar de tantos relatos semelhantes, só nos últimos 20 anos é que o assunto saiu dos filmes de terror e voltou a ocupar as páginas de estudos científicos sérios. As pesquisas focam desde o perfil dos chamados médiuns a análises neurológicas que relacionam alucinações a epilepsia e ao fenômeno do déjà vu. Ainda não existe uma explicação definitiva do fenômeno da mediunidade, mas há conclusões suficientes para destruir vários mitos sobre o tema.
 
Quem vê gente morta?
Primeiro mito: o de que pessoas que afirmam ver espíritos são malucas. Em boa parte dos casos, quem vive esse fenômeno são profissionais com ensino superior, pais e mães de famílias de classe média e alta, que mantêm a experiência em segredo e recorrem a dezenas de médicos para saber o que está acontecendo. Em 2005, o psiquiatra Alexander Moreira de Almeida, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora e membro do Núcleo de Estudos de Problemas Espirituais e Religiosos (Neper) da USP, aplicou testes psicológicos em 115 médiuns da capital paulista. A maioria deles era formada por pessoas que afirmavam incorporar espíritos, falar coisas que estão sendo ditas por mortos, ter visões e ouvir vozes. Almeida descobriu que pessoas bem instruídas e ocupadas formavam sua amostra: 46,5% tinham escolaridade superior e apenas 2,7% estavam desempregados. "Esses dados mostram que não são pessoas desajustadas socialmente", diz. A maior revelação veio dos resultados do SQR (Self-Report Psychiatric Screening Questionnaire), um questionário aplicado para detectar transtornos mentais. Quanto mais respostas positivas, mais alta é a probabilidade de a pessoa ter um transtorno. "Em menos de 8% delas o resultado deu positivo, o que é muito pouco. Na população brasileira, esse índice fica entre 15% e 25%." Outra surpresa veio com o teste de Escala de Adequação Social. O psiquiatra verificou que os médiuns que relatavam incorporar espíritos com uma frequência maior eram os mais ajustados socialmente e também aqueles que menos tinham sintomas de transtornos psiquiátricos.
A notícia é um alívio para quem sofre a pressão de viver experiências mediúnicas e se pergunta o tempo todo onde está o limite entre a loucura e a sanidade. "Sou um cara cético. Até hoje me pergunto se o que vejo não é criação da minha cabeça", diz Maurício Casagrande. "Quando as imagens ficaram mais frequentes, achei que estava ficando esquizofrênico e fui procurar ajuda na medicina." Maurício chegou a dormir duas noites no Hospital São Paulo, vigiado por equipamentos de mapeamento cerebral, e a tomar ansiolíticos, que não o impediram de continuar acordando com presenças fantasmagóricas. Apesar das inúmeras tentativas, não se descobriu nenhum transtorno mental. "Até que um dia um médico falou para eu procurar um lado mais espiritual. Veja só: um médico falando isso!", diz ele.
As consultas médicas também fizeram parte da adolescência de Regina Braga, hoje com 52 anos. Aos 15, ela começou a acordar rodeada de estranhos. "Eram figuras grotescas. Eu via pessoas com os olhos esbugalhados em cima de mim. Comecei a entrar em parafuso", diz. Os pais passaram a levá-la a médicos, que receitavam calmantes. "O tranquilizante era uma porta de acesso maior. Eu relaxava, ficava indefesa e os ataques à noite eram mais ferozes." Aos 17 anos, Regina entrou em uma espécie de coma. "Os médicos fizeram de tudo para que eu despertasse, mas eu não tinha nenhuma reação." Ao sair do que chama de "transe", foi transferida para a clínica de um médico espírita, que soube tratá-la (leia ao lado boxe sobre a doutrina). "Se fosse outro médico, acho que me mandaria para um hospício."
O medo de ter problemas mentais impede muitas pessoas de falarem abertamente sobre o assunto. "A literatura médica diz que de 15% a 30% da população tem algum tipo de vivência sobrenatural. Essas pessoas não contam para ninguém por medo de acharem que estão loucas", afirma o psiquiatra Almeida. O engenheiro Maurício é um exemplo de quem evita propagandear. "Se tem uma coisa que não suporto são os ‘esochatos’, aquele bando de esotéricos que ficam tentando convencer a pessoa a seguir alguma ideia. Tenho medo de rótulos, por isso prefiro não comentar", diz.
 
Os médiuns na história
De fato, os cientistas que começaram a estudar esses fenômenos foram os que tratavam doenças mentais. Em 1889, o psiquiatra francês Pierre Janet foi o primeiro a propor a existência de uma segunda consciência. Para ele, quando a personalidade perdia a coesão (o fluxo normal de ideias e pensamentos), uma corrente secundária de ideias, vontades e imagens se sobrepunha à consciência, gerando automatismos motores e sensoriais - responsáveis pelos chamados fenômenos paranormais. O contemporâneo William James, psicólogo americano, defendeu a tese de que a possessão mediúnica era uma forma de personalidade alternativa em pessoas que não tinham problemas mentais: uma espécie de dupla personalidade. Ele não descartou que um espírito desencadeasse essa segunda identidade. Já o professor de cultura clássica Frederic Myers dedicou-se a estudar o inconsciente. Ele defendeu que existia na mente uma consciência subliminar, que raramente emergia - quando isso acontecia, o resultado era a manifestação mediúnica. Até mesmo Sigmund Freud deu palpites sobre a mediunidade. Para ele, os estados de possessão correspondiam às nossas neuroses: os demônios seriam os desejos considerados maus que foram reprimidos. "Aos nossos olhos, os demônios são desejos maus e repreensíveis, derivados de impulsos instintivos que foram repudiados e reprimidos", afirmou ele no livro Uma Neurose Demoníaca do Século 17, de 1923.
A neurologia também tentou cercar o mistério. O inglês John Hughlings Jackson sugeriu que as crises não passavam de uma descarga ocasional, excessiva e inadequada do tecido nervoso sobre os músculos, assim como a epilepsia. Na década de 1950, os médicos Wilder Penfield e Theo­dore Brown Rasmussen, do Instituto Neurológico de Montreal, no Canadá, fizeram cirurgias em pacientes com epilepsia acordados. Graças a elas, o mundo descobriu muito sobre o cérebro. Quando os médicos estimulavam uma área do cérebro, o paciente mexia a mão; em outra, o pé. Ao estimularem áreas relacionadas à gustação, o paciente sentia um gosto na boca. Também ouvia sons sem sentido, via bolas e estrelas. "Foi assim que mapearam o cérebro humano", afirma Elza Yacubian, neurologista especializada em epilepsia da Universidade Federal de São Paulo.
A busca por explicações para os fenômenos tidos como paranormais rendeu também descobertas de instrumentos da neurologia usados até hoje, como o ele­­­troencefa­lograma, que registra a atividade elétrica do cérebro por meio de eletrodos colocados na cabeça do paciente. O a­pa­relho foi criado pelo psiquiatra alemão Hans Berger, fascinado pelos poderes da mente desde a década de 1890, quando foi soldado do Exército alemão. Durante um exercício militar, Berger sofreu um acidente de cavalo. Logo depois, seu pai, sem saber o que havia acontecido, enviou-lhe um telegrama para saber como o filho estava - a irmã de Berger tinha dito ao pai que sabia que ele havia sofrido um acidente. O psiquiatra ficou fascinado pela adivinhação da irmã: passou a acreditar em paranormalidade e decidiu estudá-la. "Ao criar o eletroencefalograma, em 1929, ele esperava que o aparelho desse respostas a experiên­cias que julgava fora do comum", diz Elza. "Uma de suas maiores decepções foi constatar que o eletroencefalograma é normal em pacientes que têm problemas psiquiátricos e nas pessoas que relatam experiências sobrenaturais."
 
O que diz a ciência
Depois da criação do eletroencefalograma, apareceram a ressonância magnética, a tomografia computadorizada e a ressonância funcional. Com elas, já se conseguiu mapear no cérebro até as áreas que despertam as emoções e controlam funções específicas do corpo, como enxergar em profundidade ou reconhecer faces. Mas esses equipamentos não são suficientes para detectar a química envolvida na troca de impulsos elétricos e as alterações celulares de quem afirma ver espíritos. Para os cientistas, é por causa dessa falta de recursos mais precisos que os exames feitos pelo engenheiro Maurício não apontam anormalidades. "Quando o bebê está sendo formado, bilhões de células embrionárias migram para formar 6 camadas do córtex", afirma a neurologista Elza. "Nem a melhor ressonância magnética consegue detectar falhas nesse nível."
Mesmo assim, no mundo das hipóteses médicas, os relatos de retorno dos mortos à Terra não passam de ficção criada pela máquina chamada cérebro. Desde os primeiros estudos, a epilepsia virou explicação para manifestações de mediunidade, ideia que é seguida até hoje. Ataques epilépticos são o ponto máximo da hiperexcitabilidade do cérebro, que responde mandando ao corpo reflexos não só motores. Epilépticos sofrem também reações olfativas - como sentir cheiros estranhos repentinamente - visuais e sonoras, como ter alucinações. Isso mesmo, alucinações, muito parecidas com as de quem afirma ver espíritos. "Uma excitabilidade diferente poderia ser a explicação para fenômenos não patológicos de visões e audições", afirma Elza Yacubian. Há tipos de epilepsia que são muito relacionados a relatos sobrenaturais. A epilepsia do lobo temporal do cérebro, por exemplo, provoca alucinações e induz à religiosidade. Essa parte do cérebro é tida como a responsável pela religiosidade: pessoas com lesões nela costumam desenvolver uma religiosidade extrema. Acredita-se, por exemplo, que o fanatismo religioso do pintor Vincent Van Gogh tenha vindo da epilepsia no lobo temporal.
Para o InterPsi, um grupo de pesquisadores da PUC-SP que se dedica a encontrar explicações lógicas e científicas para fenômenos sobrenaturais, a epilepsia é só uma das possíveis soluções do mistério. Além dela, outros estados alterados da mente se relacionam a alucinações. "Frequências sonoras, campos magnéticos e estados de transe podem provocar efeitos sensoriais", afirma o psicólogo Welling­­­­ton Zangari, pesquisador do Laboratório de Psicologia Social da Religião na USP e membro do InterPsi.
Zangari cita o caso que aconteceu num escritório de engenharia da Inglaterra na década de 1980. Vários funcionários afirmavam ver fantasmas em uma das salas, que em pouco tempo ficou conhecida como mal-assombrada. Foi um engenheiro do próprio escritório, chamado Vic Tandy, que desfez o mito: as aparições eram, na verdade, uma reação do globo ocular, que vibrava influenciado pela frequência de infrassom de um ventilador, borrando a visão de quem entrava ali.
Sabe-se, também, que alucinações são comuns em pessoas com estados graves de fome ou em quem fica 3 dias sem dormir. "Nessas situações, os neurônios funcionam de forma anormal, criando uma realidade paralela", afirma a neurologista Kátia Lin, da Unifesp. "Não significa que a pessoa esteja louca ou doente."
Se o cérebro é a chave para as alucinações, os cientistas se dedicam agora a saber quais circuitos movem essa engrenagem. Em setembro passado, o médico Olaf Blanke, da Escola Politécnica de Lausanne, na Suíça, criou em laboratório aquela sensação desagradável de ter uma presença parada às costas. A cobaia foi uma mulher de 22 anos, com epilepsia, que se submetia a uma cirurgia para retirar a lesão que provocava as crises.
A equipe de Blanke aplicou estímulos elétricos em pontos do lado esquerdo do cérebro. A reação foi sinistra: a mulher sentiu que alguém estava atrás dela. Empolgados, os médicos estimularam ainda mais a área e a paciente foi capaz de descrever o ser invisível como uma pessoa jovem. Os pesquisadores, então, pediram que ela tentasse abraçar os joelhos. Ao se abaixar, a mulher podia jurar que a presença que sentia tinha segurado seus braços.
A área estimulada está relacionada à noção corporal - sem ela fica impossível, por exemplo, mexer os braços na hora de trocar de roupa, por mais que o braço esteja perfeito. Para o médico Olaf Blanke, estímulos nesse ponto podem explicar não só a presença fantasma, como também os relatos sobre viagens feitas fora do corpo. A tese é reforçada por uma experiência similar realizada em 2002. Ao tentar identificar a área de lesão de uma inglesa de 43 anos, com epilepsia havia 11, Blanke estimulou o giro angular, uma área que fica na parte posterior do lobo temporal, e se surpreendeu com o resultado: a mulher sentiu como se tivesse saído do corpo e levitado 2 metros acima da mesa de cirurgia. "O giro angular é importante para processos cerebrais associados à experiência extracorpórea", afirmou Blan­­­­ke na revista Nature.
Tentar reproduzir fenômenos espirituais em laboratório não é novidade. Desde a década de 1980, o neurologista canadense Michael Persinger faz testes com ondas eletromagnéticas em pessoas normais. A experiência consiste em colocar capacetes, que geram uma espécie de campo magnético, em voluntários vendados, dentro de uma sala escura e com isolamento acústico. À medida que o pesquisador estimula o lobo temporal, os voluntários têm sensações de fazer inveja a qualquer usuário de alucinógenos: olhos que se mexem e viram luzes roxas, visões de incêndios, demônios, des­locamento do corpo e cenas da infância como se acontecessem no presente.
Ou seja: para a neurologia, ver espíritos é resultado de uma disfunção cerebral ainda não diagnosticada. Os sintomas são parecidos com os de doenças como epilepsia, esquizofrenia (que provoca alucinações auditivas e delírios de perseguição), tumores cerebrais (que podem causar alucinações) e transtorno de identidade dis­sociativa, quando o doen­te tem dupla identidade, ouve vozes e muda sua caligrafia. Mas a causa seria bem diferente da dessas doen­ças e estaria relacionada a erros de sinapse do cérebro. "Se há áreas do cérebro capazes de fazer contatos por telepatia, a ciência simplesmente não tem como refutar ou comprovar", diz a neurologista Kátia Lin. Talvez nem mesmo o cérebro abrigue todas as explicações. "Há uma tendência hoje de reduzir tudo a causas cerebrais", diz o psicólogo Wellington Zan­gari, do InterPsi. "Mas não dá para entender tudo sem um olhar antropológico, cultural e psicológico."
Mais longe ainda está a explicação para fenômenos como previsões do futuro, o meio como os médiuns costumam saber da morte de parentes. Como alguém pode ser capaz de atravessar o tempo? Será só uma coincidência? Também há o problema dos relatos de luzes que acendem sozinhas à noite, gavetas, portas que aparecem inexplicavelmente abertas. Enquanto uma explicação definitiva não aparece, quem acredita ver espíritos prefere tentar levar a vida normalmente, como a advogada Margareth Pummer. "O assunto é tão sério que não faço propaganda. Evito conversar sobre isso e assim vou vivendo", diz.
"Foi feliz o cara que fez O Sexto Sentido. Eu tinha experiências similares às do filme. Aos 27 anos, aconteceu um episódio horroroso. Estava em Ubatuba e tive uma visão: Gente ensanguentada, faltando um pedaço da cabeça, aquele branco cadavérico. me acostumei a acordar gritando, sentindo que alguém me cutucava. o ponto culminante foi Antes de eu casar. procurava apartamento na vila mascote, em são paulo, e nada dava certo. Uma noite veio aquele monte de visões insuportáveis no meu quarto e alguém falou: ‘Você não vai conseguir morar nesse bairro, porque ele foi uma fazenda, houve disputas em família e mataram gente ali’. fiquei assustado e decidi morar em outro lugar. Há 5 anos, uma prima distante teve um AVC. Uma noite, veio um ser e falou: ‘A Vera já foi. Em dois dias ela sai do físico’. Nunca tinha tido nada tão claro. Contei para minha mãe e Dois dias depois a mulher morreu. Chega a um ponto tão horroroso que, se alguém vai para o hospital, já sei se sai ou não. Aliás, hospital é um dos lugares a que não posso ir. Cemitério, de jeito nenhum - sempre que vou, volto acompanhado"
Maurício Casagrande, de 31 anos, administrador e engenheiro eletricista especializado na área de telecomunicações. Já psicografou duas vezes. Ateu.
"Aos 15 anos, comecei a acordar à noite e ver espíritos rodeando a minha cama. Eram figuras grotescas, machucadas, que faziam ameaças. Eu chorava muito. Por causa das crises, perdi o ano na escola e passei a tomar calmantes. Achavam que eu estava doida, mas eu tinha certeza do que via. Graças a um médico espírita, não fui parar num hospital psiquiátrico. Comecei a entender que O QUE CHAMAMOS DE SOBRENATURAL não era incomum NEM ASSUSTADOR. Hoje, Reservo uma ou duas horas por semana para psicografar um livro. Vou ao computador, O Espírito senta ao meu lado e começa a ditar."
Regina Braga, de 52 anos, secretária-executiva. Católica, começou a seguir o espiritismo aos 17 anos.
"Começou depois que voltei do Japão, em 2001. Um dia, a TV ligou de madrugada, Passando a nota de falecimento do Mário Covas. Por 3 meses, acordei naquela hora. depois, comecei a ver sombras embaixo da porta e roupas flutuando. pensei que tinha um problema psiquiátrico. Essa descrença é o pior: seus olhos presenciam algo e sua mente não quer aceitar. Outra vez, no trabalho, a tia de minha assistente ligou para saber se sua irmã, no hospital, passava bem. Eu atendi e ela me disse seu nome: Carmela. Quando contei para minha assistente, ela começou a chorar: sua tia Carmela tinha morrido havia 4 anos. como foi que eu adivinhei o nome da tia dela?"
Emerson Ogata, 31 anos, cabeleireiro, procurou ajuda na doutrina espírita.
"No início, eu tinha medo. durante os pesadelos, me esforçava para acordar e gritar. quando Meu marido acordava, tudo sumia. Um dia lembrei de uma prece. Saí do corpo e fui conversar com os espíritos. Virou um exercício comum. Às vezes, vem uns que querem me assustar, mostram a língua, xingam. Nesse momento, eu falo: ‘fora daqui’. Mas muitas vezes eles vêm para conversar. Já aconteceu de funcionários entrarem na minha sala quando eu respondia em voz alta. É como se fossem grandes amigos. Em 2005, meu filho mais velho foi sequestrado. Ficou 53 dias em cativeiro e a melhor coisa que aconteceu foi ter contato com espíritos. A primeira coisa que ouvi foi ‘Tenha fé, seu filho vai voltar’. Todos os dias eu tinha esse estímulo. Depois do 35o dia, as pessoas me ligavam para dizer que ele estava morto. Nessas horas, eu ouvia: ‘Seu filho está vivo, fique calma’. as vozes estavam certas. Não tem dinheiro que pague esse apoio."
Margareth Pummer, 48 anos, advogada e gerente de departamento de qualidade e meio ambiente. Segue a doutrina espírita há 17 anos e hoje é médium.
 

Para saber mais

Epilepsia: Da Antiguidade ao Segundo Milênio
Elza Yacubian, Lemos Editorial, 2000.
www.pesquisapsi.com
Site do grupo de pesquisa InterPsi, da PUC-SP.
www.hcnet.usp.br/ipq/revista
Revista de Psiquiatria Clínica.

O que diz o espiritismo

Seguidores acreditam que espíritos vivem em simbiose com os vivos
É por causa de perguntas sem respostas satisfatórias que doutrinas como o espiritismo fazem adeptos. Por dia, passam pela sede da Federação Espírita de São Paulo cerca de 9 mil pessoas. O entra-e-sai não é só de quem vê assombração - aliás, essa é uma minoria. Muitos chegam lá à procura da cura para uma doença ou desejam se comunicar com mortos. Para o espiritismo, não há dúvida: espíritos existem e vivem em simbiose com pessoas de carne e osso, algumas vezes dando uma forcinha e em outras tocando o terror.
Segundo a religião, existem vários mundos em diferentes estágios de evolução. Espíritos de luz, mais evoluídos, dificilmente são vistos vagando por aí - em geral, só os médiuns conseguem senti-los. Nós, pobres mortais, estamos mais sujeitos a topar com um brincalhão - daqueles que gostam de assustar, fazer caretas e atrapalhar o bom andamento da vida. "Podemos ver esses espíritos zombeteiros principalmente em situações de desequilíbrio. Se aceitarmos vibratoriamente a sua condição, e isso acontece quando não estamos desprendidos do egoísmo, do orgulho, das vaidades e do apego material, eles poderão nos acessar", diz Silvia Cristina Puglia, presidente da Federação Espírita de São Paulo. O que vemos, explica ela, não é o espírito em si, mas seu períspirito - um meio-termo entre o corpo e a alma. "Temos mais condição de ver espíritos atrasados, que parecem carnais." Para a doutrina, a comunicação só acontece por causa de uma troca do que Allan Kardec, o pai do espiritismo, chamou de "fluido".
O protestante francês Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804-1869), que mais tarde viria a adotar o nome "Allan Kardec", teve o primeiro "contato espiritual" aos 50 anos. Na época, as festas francesas eram animadas pelos fenômenos das mesas girantes - as mesas giravam, pulavam e responderiam a perguntas dando pancadas no chão. Dessas e de outras observações, Rivail chegou à conclusão da existência de um plano espiritual e reuniu suas ideias em O Livro dos Espíritos (1857).
"Os espíritos revelaram a Kardec que a natureza material é uma coisa fluida, que tem o mesmo princípio da matéria densa, mas é mais sutil", afirma o físico espírita Alexandre Fontes da Fonseca, da USP. "Há hipóteses tratando os fluidos como ondas eletromagnéticas."
Os fluidos seriam a base da explicação para a materialização das assombrações e fenômenos como as portas que abrem sozinhas, os copos que mexem e os ruídos inexplicáveis.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Indicação e filme: Morrendo e Aprendendo

 
 

Em 1959, em São Francisco, a telefonista Penny Washington deixa seus três filhos para ir trabalhar no turno da noite. O tímido cantor Harrison Winslow fica com medo do palco e desiste de sua apresentação. A garçonete Julia é proposta em casamento por seu namorado e não aceita; logo ela se arrepende e vai atrás dele.  O ladrão Milo Peck tenta recuperar uma valiosa coleção de selos que ele roubou de um garoto.
 
 
Eles embarcam em um ônibus e o motorista Hal se distrai enquanto está dirigindo e tem um sério acidente onde ele e os passageiros morrem. Neste meio tempo, Frank Reilly está levando sua esposa grávida Eva Reilly para o hospital. Frank consegue se desviar do ônibus, mas Eva fica nervosa e tem o neném no carro. As almas dos quatro passageiros tornam-se os anjos da guarda e amigos invisíveis do menino Thomas Reilly. Sete anos depois, Penny, Julia, Harrison e Milo concluem que eles estão prejudicando o garoto e eles decidem ficar invisíveis também para ele.
 
 
Trinta e poucos anos depois, Hal retorna com seu ônibus para buscá-los e o quarteto descobre que tiveram todos aqueles anos para resolver as pendências de suas vidas. Eles pedem para Hal “enrolar” e dar um pouco mais de tempo para eles resolverem suas pendências e eles decide aparecer para Thomas, que é um homem de negócios durão e indeciso em relação a seu relacionamento com sua namorada Anne, e pedem para ele ajudá-lo a resolver seus problemas para se tornarem almas livre. No final, Thomas também se torna um homem melhor.
 
 
“Morrendo e Aprendendo” é um dos filmes mais adoráveis dos anos 90. O escritor usa a ideia central do bem sucedido “Ghost” (1990) para fazer uma comédia espirituosa e deliciosa, com efeitos especiais estado-de-arte em 1993.
 
 
Kyra Sedgwick, Tom Sizemore, Alfre Woodard, Charles Grodin e Robert Downey Jr. mostram uma química fantástica e parecem estar se divertindo durante as filmagens deste filme. Kyra Sedgwick mostra um belo sorriso o tempo todo e Robert Downey Jr. está hilário. A presença de B.B. King dá um tom de cult a este filme, que tem uma mensagem positiva no final. Eu não me lembro quantas vezes eu assisti este filme em VHS nos anos 90. Ontem eu vi “Morrendo e Aprendendo” em DVD pela primeira vez e eu só lamento que não tenha nenhum extra, apenas o filme.
 
 
 


 
 

COMO CONSEGUIR A UNIÃO NO MEIO ESPÍRITA E COMO CONSEGUIR A PRÁTICA DO ECUMENISMO









(**) “Une-te aos outros, sem exigir que os outros se unam a ti.” Emmanuel.
(**) “A união fraternal é o sonho sublime da alma humana, entretanto, não se realizará sem que nos respeitemos uns aos outros, cultivando a harmonia, à face do ambiente que fomos chamados a servir”. Emmanuel
(**) livro Fonte Viva, Chico Xavier, espírito Emmanuel, sobre “União Fraternal”, pág. 113.
Neste novo milênio, mais especificamente na segunda metade de sua primeira década, nós espíritas podemos auspiciosamente sorrir. Explico: a união entre os espíritas começa a caminhar. É fato que ainda timidamente, mas o processo iniciou-se em várias regiões do nosso país.
Dentre várias cidades que caminham nessa bendita direção, tive a feliz oportunidade de conhecer uma delas que é um caso exemplar de união entre espíritas. Um modelo a ser seguido. O objetivo principal deste texto é aproveitar a experiência desse grupo de Casas Espíritas que se uniu, para passar ao leitor os procedimentos que foram adotados para que tal evento ocorresse. Mas antes de falar sobre esses procedimentos, vejamos algumas considerações.

Por que a união entre as Casas Espíritas é necessária?
Sem nunca nos esquecermos de que, n’O livro dos médiuns (cap. XXVI, item 292, questão 22), Kardec esclarece-nos que o objetivo essencial e exclusivo do Espiritismo é nosso particular desenvolvimento espiritual, por outro lado o próprio mestre de Lion reforça que o Espiritismo tem como um dos seus mais importantes objetivos cooperar na formação de uma nova sociedade terrena. Em sintonia com essa abrangente proposta, é vital que façamos um questionamento a nós mesmos: Como ajudar na formação de uma nova sociedade, se uma de nossas marcantes e inadequadas características é falarmos para nós mesmos?

Reflitamos:
Fora do nosso meio, somos atuantes na divulgação espírita?
Temos programas de TV nos principais canais abertos do país?
Temos programas de Rádio nas principais emissoras comerciais?
Vê-se hoje colunas espíritas nos jornais de maior divulgação do país?
Sabemos que as respostas às questões acima não são alentadoras. No entanto, as reflexões que delas brotam levam-nos a encontrar a resposta à pergunta: “Por que a união entre as Casas Espíritas é necessária?” Podemos deduzir que, além do exercício da fraternidade que a união enseja, que é o seu efeito mais importante, ela – a união – propiciará as condições materiais, isto é, os recursos financeiros para investirmos na divulgação do Espiritismo ao grande público não-espírita, contribuindo, então, para a formação de uma nova sociedade. Daí a importância da união.

Uma importante observação:
Para que nós espíritas não nos coloquemos como os únicos artífices do embasamento de uma futura sociedade justa e mais espiritualizada, transcrevo lúcida opinião do confrade Cezar Braga Said (Reformador, novembro/2006, FEB, pág. 18). Em seu comentário, transcrito a seguir, o citado articulista tem como foco nossa mudança interior, que é o primeiro e fundamental passo para a formação de uma nova sociedade, haja vista que não há como chegarmos a uma sociedade onde todos convivam em paz, se esta – a paz – não reinar em nosso interior.
Diz Cezar Said:
“Admitir o Espiritismo como caminho único para conquista da paz interior é assumir uma postura nitidamente fundamentalista e contrária à opinião dos Espíritos Superiores.”
Nosso companheiro Cezar Said expõe em seu artigo a fonte que avaliza seu comentário, Allan Kardec, conforme afirmação do insigne Codificador na nota à questão 982 d’O livro dos Espíritos:
“(…) O Espiritismo ensina o homem a suportar as provas com paciência e resignação, afasta-o dos atos que possam retardar-lhe a felicidade, mas ninguém diz que, sem ele, não possa ela ser conseguida.”
Portanto, para que cada vez mais tenhamos consciência de que, além do Espiritismo, outras religiões e filosofias irão formar pares para atingirmos a almejada chegada do Mundo de Regeneração, trabalhemos a união entre nós espíritas… com humildade.

O que retarda a união?
O que ainda retarda o avanço desse processo de União – que felizmente começou – são duas essenciais atitudes ainda vigentes em expressiva parcela de nossas Casas Espíritas: o personalismo e o dogmatismo.
No livro Unidos pelo amor, psicografia de Wanderley Soares de Oliveira (Dufaux), o eminente irmão maior Bezerra de Menezes alerta-nos e orienta-nos: “Criatividade e desapego são credenciais de luz ante as lufadas do dogmatismo e do personalismo”. De forma clara e inequívoca, o benfeitor Bezerra de Menezes diz que se formos criativos e desapegados, a tendência natural será o fim do personalismo e do dogmatismo ainda reinante em nosso meio, e que, repetindo e reforçando, tanto retarda nossa união.



Um modelo a ser seguido
No ano de 2006, visitando uma das cidades do querido estado de Minas Gerais, deparei-me com um grupo de espíritas que conseguiu unir acima de 95% das Casas e da liderança espírita daquela região (100% seria a perfeição!). Interessei-me em estudar o porquê daquela cidade ter conseguido esse intento tão almejado por todos nós. E descobri uma feliz “coincidência”. Seus líderes exerceram o desapego e a criatividade, procedimentos esses citados por Bezerra de Menezes como os instrumentos para abolir o personalismo e o dogmatismo.
Friso que, na cidade a que me refiro, não só a união entre os espíritas faz-se presente, mas também o ecumenismo. Sobre o ecumenismo, ocorre até de oradores espíritas serem convidados por líderes de outras religiões a proferirem palestras em suas comunidades. Religiosos esses adeptos de religiões que, em muitas outras cidades, seus líderes são fortes e agressivos combatentes do Espiritismo.
Perdoe-me, caro leitor, em não lhe satisfazer sua natural curiosidade: “que cidade é esta?”. Creio que mais importante do que citar o nome da cidade é passar as lições a serem aprendidas por todos nós. Mas para efeito de facilitar a leitura deste texto, irei batizá-la de cidade visitada.



Desapego e Criatividade, eis os instrumentos da União e do Ecumenismo
Aprendamos como a união ocorreu na cidade visitada: seus líderes espíritas observaram que cada Centro Espírita tinha diversas atividades, no entanto cada um deles destacava-se principalmente em uma dessas atividades. Explicando melhor, o Centro Espírita “A” ofertava Evangelização Infantil, Campanha do Quilo, Atendimento aos Idosos etc., mas a eficácia e os bons resultados estavam mais presentes na Evangelização Infantil; por outro lado, o Centro Espírita “B” oferecia todas as atividades citadas, mas a eficácia e os bons resultados estavam mais presentes na Campanha do Quilo. E assim sucessivamente.
Em face da realidade descrita, que fizeram os líderes espíritas da cidade visitada? Eles chegaram a um acordo, que relato a seguir. Quando o Centro Espírita “B”, que melhor trabalha a Campanha do Quilo, fosse angariar alimentos para essa atividade, todos os demais Centros Espíritas se uniriam para cooperar com o Centro Espírita “B”; quando o Centro Espírita “A”, que melhor trabalha a Evangelização Infantil, ofertasse essa atividade, todos os demais Centros Espíritas se uniriam para levar as crianças ao Centro Espírita “A”.
Caro leitor, pergunto-lhe: que nome melhor define esse procedimento dos Centros Espíritas? Pense um pouco e chegará a conclusão que a palavra certa é desapego.
Em vez dos diversos Centros Espíritas ofertarem “tudo” à comunidade, exerceram a criatividade e o desapego. Passaram várias atividades para os outros Centros Espíritas, e ficaram apenas com aquela atividade em que fossem os melhores. Simples, não? Simples, sim, mas muito difícil de praticar, se não exercermos o desapego.
Caro leitor, aparentemente saindo do nosso tema, você sabia que o motor de um carro Ford (por exemplo) tem componentes de mais de 100 fornecedores diferentes? Mas, por que essa atitude da Ford? Bem, se a Ford quisesse construir um motor com componentes fabricados por ela mesma, certamente o motor não teria a imprescindível alta qualidade, pois é impossível ser especialista em tudo.
O que faz então a Ford? Ela adquire o carburador da empresa que melhor o fabrica; as velas da empresa que melhor as fabricam; os pistões da empresa que melhor os fabricam etc. E, por meio da união harmônica de diversos especialistas, chega a expressivo resultado final.
Percebeu, caro leitor, que, em relação à união das Casas Espíritas, o exemplo citado da Ford (ou de qualquer outra empresa) foi o procedimento que a cidade visitada adotou em relação à união espírita? Por que não adotarmos essa estratégia? Isto é:
a. Por que não nos desapegarmos de tantas atividades que ofertamos?
b. Por que não nos reunirmos inicialmente com dois ou três líderes espíritas de nossa região e propormos a estratégia adotada pela cidade visitada?



Atenção: Não nos iludamos. Não pensemos que num primeiro momento seja possível adotar essa estratégia entre todos os Centros Espíritas de nossa região. Se conversarmos fraternalmente com dez Centros Espíritas de nossa região divulgando a proposta, e apenas três aderirem ao projeto, ótimo. O importante é começar. As adesões de outros Centros Espíritas tenderão a vir com o tempo.



União no meio espírita é “conseqüência”
Propagar que nós espíritas “precisamos nos unir” é a forma mais inadequada de conseguirmos efetivamente a união. E, infelizmente, isso é o que mais fazemos.
Ao contrário do que pode parecer, deixo claro que não podemos ser contrários aos discursos que propagam a importância da união, pois tudo começa no discurso. Tanto é que nosso amado Bezerra de Menezes tem-nos brindado com belíssimos e diversos discursos sobre esse tema.
Certamente, o discurso é o importante primeiro passo na concretização da união. Quando no parágrafo anterior afirmei que a forma mais inadequada de conseguirmos efetivamente a união é propagar que nós espíritas “precisamos nos unir”, quis dizer que esse tipo de discurso perde o sentido quando chega aquele momento em que efetivamente dispomo-nos a sair da idealização, a sairmos do “sonho”, isto é, quando chega aquele momento em que realmente queremos “fazer acontecer” a união. Quando esse sagrado momento chegar, é preciso que mudemos nosso discruso, conforme a sugestão que segue:

De: Precisamos vivenciar a união no meio espírita.
Para: Precisamos praticar duas principais atitudes em relação à nossa convivência com as outras Casas Espíritas:
a. exercitar a tolerância entre a liderança;
b. termos projetos comuns.
Se formos tolerantes no nosso meio espírita e tivermos projetos comuns, a tão almejada união será simples e natural conseqüência!
Portanto, a receita é:
a. exercer a tolerância entre a liderança espírita;
b. termos projetos comuns entre diferentes Casas Espíritas.
Através do exercício da criatividade e do desapego, a cidade visitada é exemplo de prática e vivência dos dois itens citados logo acima. E com isso conseguiu a união entre as Casas Espíritas!
Atenção: Comentei sobre um modelo de união espírita que deu certo, isso não quer dizer que esse seja único. Certamente há muitas outras formas de conseguirmos a união no meio espírita, mas, qualquer que seja o modelo que adotemos, uma qualidade sempre será necessária: o exercício da tolerância!



Adendo: Praticando o ecumenismo
 
O foco de todo o texto acima foi “como conseguirmos a união das Casas Espíritas”, mas não podemos deixar de comentar como a cidade visitada também conseguiu implantar o ecumenismo. Isto é, como as diversas religiões daquela cidade passaram a conviver de forma harmônica.
Se a criatividade e o desapego foram fundamentais para acontecer a união entre os espíritas da citada referência, a criatividade foi essencial para a vivência do ecumenismo. Relato a sgeuir como tal intento concretizou-se.
Tornou-se tradição na cidade visitada um evento ecumênico anual patrocinado pelo Movimento Espírita. Os líderes de diversas religiões, e toda a comunidade, são convidados a participarem desse evento, onde há deliciosos chás e biscoitos. Como, além do objetivo ecumênico, esse evento visa a arrecadar recursos para obras assistenciais, cada participante contribui com determinado valor monetário. Além dos chás e biscoitos, são apresentados conjuntos musicais espíritas que não só energizam favoravelmente o ambiente como também mostram aos não-espíritas que as músicas espíritas têm muita sintonia com os preceitos das demais religiões, falam sobre Jesus, e não sobre galinha preta; falam sobre amor, e não sobre como “amarrar” o inimigo para conseguir objetivos escusos…
Mas vejo que um dos pontos altos do evento é uma palestra proferida por um orador espírita convidado. Essa palestra trata de temas pertinentes com o desenvolvimento espiritual. No entanto, em respeito aos líderes e aos adeptos de outras religiões presentes no evento, nada se comenta sobre o Espiritismo. Nessa palestra, os integrantes das demais religiões sabem que o orador é espírita. Na apresentação do orador é mencionado o fato de ele ser espírita. Durante o transcorrer da palestra, os ouvintes não-espíritas percebem que ele profere nomes e termos que também estão presentes em sua igreja ou instituição religiosa como “Jesus”, “Deus”, “amor”, “afetividade” e outros. Com essa forma do orador desenvolver o tema da palestra, acaba o estigma de que Espiritismo é coisa de demônio ou tem que ver com galinha preta na esquina. Vencido esse preconceito, o ecumenismo tende a passar a ser realidade, que foi o que ocorreu na cidade visitada.
Com esse evento anual, a cidade visitada conseguiu mostrar à comunidade não-espírita a singeleza, o espírito fraterno, as bases sólidas e a racionalidade do Espiritismo. E conforme a explicação de Kardec já citada, a melhor forma de eliminar os críticos do Espiritismo é por meio de sua divulgação:
“Uma publicidade numa larga escala, feita nos jornais mais divulgados, levaria ao mundo inteiro, e até aos lugares mais recuados, o conhecimento das idéias espíritas, faria nascer o desejo de aprofundá-los, e, multiplicando os adeptos, imporia silêncio aos detratores que logo deveriam ceder diante do ascendente da opinião.”
Obras póstumas, “Projeto 1868”
 
No caso, por meio do seu evento anual, os líderes espíritas da cidade visitada divulgam o Espiritismo de forma discreta e eficaz, e com isso, ao mesmo tempo em que estimulam o desaparecimento dos seus detratores, incentivam a pratica do ecumenismo.
Finalizando, um outro fator que facilitou que pessoas de outras religiões aceitassem o Espiritismo na cidade visitada, foi a forma que muitas dessas pessoas não-espíritas começaram a raciocinar depois que passaram a conviver com os espíritas. Diziam: “se fulano é uma pessoa boa, honesta e é espírita… se beltrano é honesto e uma boa pessoa e é espírita… se sicrano é gente boa e é espírita… esse negócio não pode ser coisa ruim.” Esse proceder atesta o que Kardec asseverou no livro Obras póstumas, quando informou-nos que a conduta dos espíritas é que chamaria a atenção das pessoas. Conclusão: se formos exemplos de conduta, com mais facilidade o ecumenismo passará a ser realidade.
 
(*) Texto extraído do livro Aprimoramento Espírita (pág. 201 a 209), de Alkíndar de Oliveira, Editora Truffa

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Filme: Se eu ficar

 
 
Ontem estreou o filme "Se eu ficar" - adaptação do livro do mesmo nome da escritora americana Gayle Forman.
 
A trama é outra adaptada de um assíduo frequentador da lista de livros mais vendidos — desde seu lançamento, no início de agosto, a obra ocupa o segundo lugar do ranking, logo atrás de A Culpa, de Green. O livro acompanha o terrível dia de uma garota de 17 anos que se vê entre a vida e a morte após um acidente de carro com a família. No saldo final muitos lenços de papel utilizados...
 
Mia (Chloe Grace Moretz) é um prodígio do violoncelo. Sua paixão pelo instrumento chama a atenção de Adam (Jamie Blackley), o garoto roqueiro da escola, que se apaixona por ela após ouvi-la tocar. Coincidentemente, os pais de Mia (vividos por Mireille Enos e Joshua Leonard) são grandes fãs do rock, que deixaram as jaquetas de couro e a vida louca para cuidar dos filhos. Ao lado do irmão mais novo, Teddy (Jakob Davies), Mia e seus parentes pintam a encarnação da família dos sonhos de muitos adolescentes, com uma vida de liberdade e música no último volume.
A perfeição é interrompida logo no começo do filme por um grave acidente de trânsito, que deixa Mia em coma e seu espírito vagando pelo hospital, enquanto assiste ao desenrolar dos fatos sem conseguir interferir na tragédia. O único poder que ela descobre ter é o da escolha: se quiser ficar e encarar a nova e triste fase de sua família, ela pode reunir forças e sobreviver.

Assisti ontem e gostei muito...
E para quem for assistir, uma dica: Vão munidos de lencinhos...